Saúde

Dia Mundial do AVC: reconhecer os sintomas e buscar atendimento rápido pode reduzir sequelas

Neurologista explica como identificar os sinais, quais são os tratamentos disponíveis e como prevenir a doença

Nesta quinta-feira (29), é celebrado o Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). A data chama a atenção para a importância da prevenção, do reconhecimento dos primeiros sintomas e da busca por atendimento médico imediato.

No Brasil, o AVC é a segunda principal causa de morte, atrás apenas das doenças cardíacas, de acordo com o Ministério da Saúde. Em Pernambuco, mais de 16,8 mil pessoas morreram em decorrência da doença entre 2020 e 2024, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). Além do risco de morte, o quadro pode provocar sequelas permanentes e comprometer a autonomia dos pacientes.

A doença pode ser classificada em dois tipos principais: o isquêmico, provocado pela obstrução de um vaso sanguíneo que impede a chegada de sangue a uma região do cérebro, e o hemorrágico, que ocorre quando há rompimento de um vaso e sangramento cerebral. Nos dois casos, o reconhecimento dos sintomas e o tempo até o atendimento médico influenciam as possibilidades de tratamento e recuperação.

Como reconhecer os sinais de AVC

Segundo o neurologista João Eudes, do Hospital Esperança Olinda, da Rede D’Or, a escala SAMU é uma ferramenta que auxilia no reconhecimento dos principais sinais da doença e reúne quatro orientações:

S – Sorrir: pedir para a pessoa sorrir e observar se há assimetria facial, como um lado da boca torto.
A – Abraçar: verificar se a pessoa apresenta dificuldade para levantar um dos braços.
M – Música: pedir para a pessoa recitar ou cantar um trecho de música e observar se apresenta dificuldade para falar.
U – Urgência: diante de qualquer um desses sinais, acionar o serviço de emergência pelo número 192.

Outros sintomas também podem indicar um AVC, como perda de força ou sensibilidade em um lado do corpo, alterações súbitas na visão, dificuldade para caminhar e perda de equilíbrio.

“Diante de qualquer alteração neurológica súbita, é preciso suspeitar de um AVC e procurar atendimento imediatamente. Não se deve esperar que os sintomas desapareçam”, reforça o neurologista.

Atendimento hospitalar

“Todos os tratamentos para AVC dependem do tempo. Quanto mais tecido cerebral você perde, maior o risco de incapacidade permanente e maior o risco de morte também. O ideal é que o paciente chegue o mais rápido possível ao hospital”, alerta João Eudes.

Na emergência, o paciente passa por avaliação clínica e exames de imagem, como a ressonância, que ajudam a identificar o tipo de AVC e orientar a conduta médica.

Na Rede D’Or, as emergências, como do Hospital Esperança, utilizam protocolos estruturados de atendimento para priorizar os casos de maior gravidade. A metodologia Smart Track prevê atendimento imediato para pacientes em estado grave, enquanto aqueles classificados como de baixa complexidade recebem o primeiro atendimento médico em até 20 minutos.

“Quanto mais rápido o paciente é levado para o hospital, mais rápido a gente consegue agir. Quanto mais cedo ele chegar, mais tecido cerebral poderá ser preservado e potencialmente recuperado”, explica o médico.

Outro diferencial da Rede D’Or, maior empresa de saúde da América Latina, é o acesso a especialistas, tecnologia e recursos de alta complexidade, potencializados pela integração das unidades a uma estrutura com mais de 70 hospitais no país.

Hipertensão é um dos principais fatores de risco

A prevenção do AVC envolve o controle das condições que comprometem os vasos sanguíneos. “De longe, um dos principais fatores de risco é a hipertensão arterial descompensada, principalmente naqueles pacientes que não sabem que são hipertensos. Como a hipertensão geralmente não causa sinais ou sintomas, o paciente pode ficar muito tempo com a pressão descontrolada, o que fragiliza os vasos do corpo todo”, detalha o neurologista.

Além da pressão alta, diabetes, colesterol e triglicerídeos elevados, sedentarismo, excesso de peso, alimentação inadequada, tabagismo e consumo excessivo de álcool aumentam o risco de AVC.

Manter a pressão arterial e a glicemia controladas, acompanhar os níveis de colesterol, praticar atividades físicas regularmente, adotar uma alimentação equilibrada e não fumar são medidas para reduzir o risco.